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The African Challenge | Quénia

A saída de Arusha processou-se com normalidade e, poucos quilómetros depois de deixar a cidade com o imponente Monte Meru como pano de fundo, a temperatura começou a baixar consideravelmente com o aumento da altitude, levando-nos a pensar em vestir um casaco, pois para quem vinha de temperaturas a rondar os 38 graus, 18 graus já parecia o Pólo Norte.

A estrada foi subindo, até alcançar um planalto de onde se vislumbrava a planície no fundo, planície essa com paisagens de cortar a respiração e que obrigaram a uma paragem obrigatória para tirar algumas fotografias.

Com a descida, a temperatura voltou a aumentar e rapidamente se voltou a fixar nos 26 graus, fazendo-nos esquecer a ideia dos casacos.

Chegados à fronteira com o Quénia, fomos de imediato abordados pelos habituais agentes de fronteira africanos, mas no nosso caso tivemos sorte com o rapaz que nos abordou, uma vez que nos ajudou a ultrapassar todas as habituais burocracias de uma fronteira africana. Assim, duas horas e 30 dólares depois pudemo-nos finalmente pôr ao caminho pela deslumbrante savana africana. 

De imediato granjeamos a sua simpatia e logo que dissemos que procuravamos um sítio onde pudéssemos comprar cartões de telemóvel, prontificou-se a acompanhar-nos na nossa busca

Destaque para a presença constante pelo caminho dos pastores Masai, com as suas vestes tradicionais e o seu gado maioritariamente bovino que pastam livremente junto à estrada, o que obriga a atenção redobrada, não vá algum animal lembra-se de atravessar a estrada à última da hora.

Poucos quilómetros depois alcançamos os arredores da capital, Nairobi, e o trânsito começou lentamente a tornar-se, primeiro intenso e logo a seguir caótico, como tem sido habitual em todas as cidades deste grande continente. Chegamos a ter que andar pela berma para escapar a uma fila de vários quilómetros.

A nossa passagem despertava, como sempre, muita atenção por parte dos condutores e muitos perguntavam de onde vínhamos e para onde íamos.

Chegados perto do centro e já em busca de ATM e cartões para o telemóvel, despertamos a atenção de um simpático guarda de trânsito que nos aborda com as questões do costume: “de onde vêm e para onde vão?”. Só mais tarde confessou que nos tinha visto cometer uma infração e por isso nos havia seguido. De imediato granjeamos a sua simpatia e logo que dissemos que procuravamos um sítio onde pudéssemos comprar cartões de telemóvel, prontificou-se a acompanhar-nos na nossa busca. Porém, de cartões de telefone nada à vista e daí passamos de imediato à procura de um alojamento acessível a nível de preço e que garantisse a segurança das motos. O incansável polícia entrou connosco em hotéis, inteirou-se de todas as situações e detalhes e só descansou quando nos deixou já alojados numa a guest house de uma congregação religiosa anglicana. Depois de tirar uma foto de grupo, o agente da autoridade deu-nos o seu número pessoal e ficou prometido tomarmos café no dia seguinte.

Diga-se de passagem que o café queniano é dos melhores do mundo e durante a viagem, entre fronteira, Namanga e Nairobi, tivemos oportunidade de comprovar isso mesmo.

Amanhã espera-nos um dia de contactos diplomáticos para a obtenção do visto para a entrada na Etiópia. Aliás, o simpático guarda é de origem etíope e informou-nos que a Etiópia era um país muito estável de momento e que não iríamos ter qualquer adversidade.