COVID 19: We are open and operating according to the procedures required by law.

The African Challenge | Um dia na Etiópia

A etapa começou em Moyale, tristemente célebre pelos recentes conflitos entre tribos de diferentes etnias que têm marcado alguns noticiários, e o que é verdade é que se sente um clima de tensão evidente em toda a cidade fronteiriça, com muitos militares na rua e principalmente civis armados, o que gera uma imagem de instabilidade evidente. Aliás que logo à saída da cidade tivemos de passar dois postos de controle militares e de polícia onde tivemos mesmo de mostrar os passaportes e, após alguns quilómetros em que eram visíveis militares e inclusivamente pastores armados, a verdade é que pouco depois tudo isso desapareceu, dando lugar a belas paisagens de montanha a perder de vista.

Presença constante de inúmeras manadas de gado bovino e caprino, constantemente a atravessar a estrada, o que obrigou a dezenas de paragens forçadas para deixar passar os bichinhos. Destaque também para as cáfilas enormes de camelos que pachorrentamente se deslocavam à beira e mesmo dentro da estrada.

Outro destaque é a constante presença de grandes aglomerados de pessoas em todo o lado.Durante os quase 500 quilómetros que fizemos já dentro da Etiópia, praticamente não houve sítio onde não se juntassem sempre centenas de pessoas.

Nota também para a beleza das gentes da Etiópia, onde conseguimos contar um número significativo de mulheres elegantes e bonitas que com as suas vestes tradicionais imprimiam constantemente um colorido invulgar na paisagem.

E assim, chegados ao local ficamos estupefactos a observar dezenas de motociclos aglomerados à volta do que parecia ser um posto de abastecimento com uma única bomba para centenas de pequenas motos.

Mas a grande surpresa e aventura do dia, para além de toda esta novidade étnica e cultural, foi o facto de durante o caminho todo não encontrarmos uma gota sequer de gasolina nos mais de 25 postos que abordamos em 300 quilómetros. A situação tornou-se de tal forma grave, que fomos obrigados a recorrer a um hotel que nos indicasse alguém que nos pudesse fornecer combustível. Passado algum tempo e após contacto feito através do empregado do bar, lá apareceu um rapaz em cima de uma moto que nos levaria a uma suposta bomba que teria combustível disponível. E assim, chegados ao local ficamos estupefactos a observar dezenas de motociclos aglomerados à volta do que parecia ser um posto de abastecimento com uma única bomba para centenas de pequenas motos. Imediatamente pensamos que nunca mais chegaria a nossa vez, porém, mal abordamos a multidão, toda a gente acedeu em nos deixar passar à frente e assim pudemos abastecer 20 litros de gasolina no meio de uma algazarra que se torna impossível de descrever por palavras. Fomos literalmente absorvidos pela multidão e abastecemos no meio de um mar de gente curiosa a perguntar tudo e mais alguma coisa. O clima não era muito confortável, mas acabou por tudo correr pelo melhor e em menos de 10 minutos estávamos de volta ao caminho já com a sensação de alívio de termos combustível e de termos saído daquela confusão nunca por nós vista em toda a viagem.

A surpresa seguinte acabou por não ser tão invulgar, mas acabou por ser algo dura. Encontravamo-nos a cerca de 2500 metros de altitude, quando entramos num troço de estrada em obras, para o qual já tínhamos sido previamente alertados, mas que nunca esperamos que tivesse quase 60 quilómetros num autêntico terror de pisos em terra, pedra, bocados de asfalto, um já arranjado, outro ainda por arranjar, pontes em construção, etc., e claro, sempre gente aos molhos e gado no meio da estrada. Um pandemónio ao estilo do que já tínhamos encontrado, mas aqui verdadeiramente caótico.

Por último, um pequeno engano na leitura do gps levou-nos depois da cidade de Dilla a entrar num troço em terra, este em bom estado, e que nos levou por entre um verdadeiro jardim tropical, um deleite para os olhos, culminando já quase à noite na confusa cidade de Wendo onde fomos forçados a parar, mas onde ficamos também muito bem instalados e jantados.

Segue-se a capital, não sem antes visitar os grandes lagos em altitude que iremos encontrar pelo caminho.