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The African Challenge | Burocracias

Com o objetivo de ainda neste dia atingirmos a capital do Sudão, Khartoum, a alvorada foi às cinco da madrugada para sermos os primeiros da fila na fronteira, e assim foi. Chegamos tão cedo que ainda tivemos que aguardar que o portão se abrisse. No entretanto, enquanto esperavamos juntamo-nos aos jovens militares que acabavam de acordar, para uma aula de  amárico, a língua oficial etíope, com quem aprendemos a dizer o tradicional “bom dia”, “boa tarde” e “boa noite”, entre outras expressões mais utilizadas.

Carimbamos os passaportes e passadas as formalidades da alfândega, com direito a revista das malas, atravessamos para o portão do Sudão. Para registo de entrada ainda nos levaram mais 610 libras sudanesas, a juntar aos 68 dólares do visto tirado em Addis Abeba. Enquanto esperávamos, tomamos um delicioso café e chá preparados com toda a minúcia por uma rapariga sentada numa banca tradicional. Uma hora e meia depois lá seguimos para a alfândega onde nos esperava a primeira surpresa burocrática da viagem. Aparentemente para entrar no Sudão é necessário ter um carnet de passagem que mais não é do que um passaporte para veículos motorizados. Nós sabíamos que isto poderia eventualmente acontecer em qualquer uma das fronteiras, mas a emissão do carnet de passagem pelas entidades oficiais por este planeta fora, seja onde for, obriga a depositar uma caução, que no nosso caso seria de cerca de 5000 euros por mota, o que para o nosso orçamento estava completamente fora de questão. Assim, preferimos arriscar, pois em quase todos os países, mesmo africanos, já se obtém um simples certificado de importação temporária na fronteira que depois é devolvido na seguinte, e assim foi, até aqui! Porém, como já contávamos que isto acontecesse, pusemos de imediato pés ao caminho a ligar para todos os contactos da especialidade e, passado nem duas horas, aparece o Midhat Mahirt que o Paulo curiosamente já tinha conhecido numa feira de turismo de Madrid e com o qual já tinha trocado alguns emails preparativos da viagem.

O Midhat ainda tentou dissuadir o chefe da alfândega a deixar-nos passar com um certificado temporário, mas este declinou de imediato. Deste modo, nada mais restava a fazer senão pedir a emissão do carnet para o Sudão e esperar. O Midhat seguiu para Khartoum e no sábado, dia 15, mandou-nos uma mensagem confirmando a emissão do mesmo e o envio pelo transportador.

ós sabíamos que isto poderia eventualmente acontecer em qualquer uma das fronteiras, mas a emissão do carnet de passagem pelas entidades oficiais por este planeta fora, seja onde for, obriga a depositar uma caução, que no nosso caso seria de cerca de 5000 euros por mota, o que para o nosso orçamento estava completamente fora de questão.

Durante este dia tivemos oportunidade de visitar o mercado local, fazer umas compras para preparar um almoço de esparguete improvisado, sem sal, provamos também uns bolinhos de milho frito e um magnífico sumo de laranja.