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The African Challenge | Mais um dia na fronteira

Acordamos com a ânsia de contactar de imediato o Midhat no sentido de apurarmos quando é que o nosso carnet estaria em trânsito de Khartoum para Gallabat. Depois de alguma insistência, lá atendeu o telefone, dizendo que tudo estava tratado e que já tinham seguido no autocarro para Al Ghadarif, onde chegariam por volta das 19 horas. Aí, um primo dele iria levantar os documentos e provavelmente só segunda estariam em Gallabat, o que nos alegrou bastante, pois embora a moral não tenha esmorecido, esta nossa paragem forçada não é de forma alguma agradável. Mas, tendo que passar obrigatoriamente o tempo, começamos a nossa rotina habitual de chás e cafés, bolinho fritos de vários tipos e sumos de laranja.

Hoje tivemos a visita aqui na alfândega de um casal de alemães que se encontra em viagem há cerca de 4 meses e cujo itinerário foi da Alemanha à turquia, passando pelo Irão e culminando na primeira parte no Dubai de onde expediram o seu Toyota por barco para Port Sudan através da Arábia Saudita. Uma operação complicada que lhes tomou nada mais nada menos do que 6 semanas! O seu objetivo era agora a Namíbia. No total a sua viagem deverá levar cerca de uma ano. Ficaram muito surpresos de termos apenas precisado de 3 semanas para chegar de Moçambique ao Sudão, o que de facto para o estilo Overlander é muito rápido, sem dúvida.

Pelas 14 horas chega mais um viajante, desta feita indiano, que viajava em bicicleta. Estava a realizar a volta ao mundo por etapas de 4 meses cada e o objetivo da viagem deste agrónomo de profissão era fazer palestras pelas universidades que encontra pelo caminho incentivando ao plantio de árvores para salvar o planeta da desertificação. Uma boa causa.

Isto nada teria de extraordinário, não fosse a carga ter toda que ser descarregada dos camiões à mão por dezenas de carregadores que se atropelavam com sacos de mais de 100 quilos cada.

O final do dia ficou marcado por uma mega operação alfandegária que decorreu perante os nossos olhos de, imagine-se, importação de toneladas de alho vindas da Etiópia.

Isto nada teria de extraordinário, não fosse a carga ter toda que ser descarregada dos camiões à mão por dezenas de carregadores que se atropelavam com sacos de mais de 100 quilos cada. O objetivo era pesar os sacos em número de cerca de 10 de cada vez. Uma loucura que os sindicatos europeus haviam de gostar de presenciar. A azáfama durou até escurecer e não terminou, pois ainda ficaram algumas toneladas por aviar.

Espera-nos mais uma noite abrigados debaixo da respetiva rede mosquiteira para não sermos devorados por todo o género de insetos voadores e rastejantes.

Amanhã, esperemos, será o grande dia da partida para Khartoum e a continuação desta grande aventura.