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The African Challenge | A viagem para o Cairo

Ainda  deu algum trabalho encontrar a estrada para sair de Luxor em direção ao Cairo.

Aparentemente existem 3 estradas para o Cairo e uma delas é horrível, seguindo pelo meio das cidades todas ao longo do Nilo e essa não convinha de forma alguma tomar.

Pela manhã e da varanda do hotel ainda fomos brindados com uma magnífica vista para o rio Nilo e vários balões de ar quente a levantarem. Um cenário magnífico com altas montanhas ao fundo.

Os primeiros 70 km revelaram-se extremamente penosos, devido a uma série interminável de povoações cheias de trânsito, pessoas e lombas, a obrigar a constantes paragens.

Depois de a estrada ter melhorado um pouco, chegamos a uma localidade e resolvemos perguntar aos policias qual o melhor caminho e principalmente o mais rápido. Tinham-nos falado numa tal de Army Road, estrada militar e era essa que pretendíamos pois seria sem dúvida a mais rápida. Imediatamente os policias se prontificaram a escoltar-nos até essa mesma estrada e lá fomos novamente de escolta até à entrada da Army Road.  O pior foi que a seguir disseram-nos para aguardar e a espera prolongou-se por quase hora e meia, connosco já a desesperar. Entretanto o Pedro tinha já chegado de comboio ao Cairo, tendo passado a noite doente devido a algo que comeu. Finalmente a nossa escolta apareceu, mas não era para nos escoltar, era simplesmente para dizer que podíamos seguir. Ficamos irritados de tanto tempo à espera para nada. O problema é que como nenhum falava inglês, não percebemos as indicações e passados 10 quilómetros os policias voltam a aparecer, muito zangados, dizendo que estávamos a ir no caminho errado, levando-nos imediatamente para trás para o cruzamento certo, acompanhando-nos cerca de 10 quilómetros, para depois de nos cravarem 5 cigarros nos soltarem.

Quando faltavam cerca de 350 quilómetros para o Cairo, entramos numa autoestrada moderna que nos parecia um sonho para quem vinha de sítios onde às vezes nem estradas, quanto mais auto estradas. Magnífico. Porém, a cerca de 200 quilómetros do cairo apareceu uma surpresa, como sempre. Devido ao calor e ao peso em excesso dos camiões, o asfalto encontrava-se em muito mau estado, tornando a condução da mota extremamente perigosa, obrigando-nos a manter no centro de uma das vias, para não cair nas valas.

Ao quilómetro 90 antes do Cairo, outro episódio da viagem. O asfalto tinha sido raspado e apresentava linhas profundas que nos punham a mota a dançar. Um susto a juntar ao facto de que como tivemos de reduzir a velocidade, camiões, autocarros e ligeiros passavam por nós a alta velocidade por todos os lados. Uma cena de terror, connosco a imaginar quais seriam as consequências de um tombo no meio daquele circo. Foi provavelmente o momento mais assustador da viagem. Íamos visivelmente tensos e com medo, logicamente.

Foi provavelmente o momento mais assustador da viagem. Íamos visivelmente tensos e com medo, logicamente.

Passados 15 quilómetros a estrada melhorou, mas a escuridão era tal e sem marcações nenhumas que tornava a estrada muito perigosa.

À chegada ao Cairo demos logo conta que a fama desta cidade de caótica a nivel de trânsito estava mais do que justificada. Aqui conduzem-se automóveis como se fossem motos e toda a gente se mete de qualquer maneira e feitio sem qualquer regra a não ser a do “chega para lá que aí vou eu”. Uma loucura nunca vista

O Pedro aguardava-nos já no hotel que, ironia do destino, se chama Amarante!

Para se ter uma noção do caos, demoramos nada mais nada menos do que 2 horas para percorrer 20 quilómetros, no meio de um circo de trânsito impossível de descrever. Surreal!

Ficamos muito bem instalados no hotel Amarante e amanhã será dia de visitar as pirâmides e de ir buscar a mota para depois seguirmos no outro dia para sul, pelo Sinai.