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The African Challenge | Europa – Grécia e Albânia

O primeiro dia na Grécia começou com uma invulgar manhã gelada, com as temperaturas a rondarem os 3 graus, com neve em todas as montanhas. Ainda por cima tivemos que caminhar até ao autocarro debaixo de uma chuva gelada, pelo que quando paramos para tomar o pequeno almoço já nem sentíamos as mãos.

Chegados a Atenas, com um tempo bem convidativo para passear, começamos por nos instalar num simpático hotel com um preço bem convidativo, cerca de 15 euros por noite. O único senão era a zona onde se encontrava, um pouco mal frequentada. Enfim, não se pode ter tudo.

Depois do check-in efetuado, caminhamos até à famosa acrópole de Atenas para visitarmos o famoso Partenon e toda aquela colina emblemática rodeada de monumentos com mais de 2000 anos. Depois de tirarmos dezenas de fotos aproveitando a fantástica luz do fim de tarde, dirigimo-nos outra vez pelo famoso bairro que rodeia a acrópole, a Plaka, até encontrarmos um supermercado onde fizemos compras de géneros alimentares para fazer face ao nosso apetite voraz e à falta de dinheiro, de onde depois seguimos para o hotel para descansar.

No dia seguinte, como a preguiça já se vem acumulando, fomo-nos arrastando pelo hotel até altas horas da tarde, mais concretamente até às 16 horas, o que significou que quando decidimos ir visitar mais um pouco de Atenas acabamos por ter que andar a correr, mas ainda deu para subir ao miradouro de Lykarditos, com a capela de S. George no alto. A subida é difícil, mas a vista vale bem o esforço. Dali vislumbra-se a imponente acrópole e toda a cidade de Atenas a nossos pés, estendendo-se pelo vale. Vista também fantástica para o mar e para o porto do pireu, onde as nossas motos já deviam ter chegado há muito, não fosse o mau tempo. Entretanto conseguimos tirar muitas e excelentes fotos e lembrar-nos que estas viagens devem ser aproveitadas ao máximo. No dia seguinte decidimos finalizar o seguro da fronteira para estar pronto logo que as motas chegassem. Entretanto restava-nos esperar.

E ao décimo segundo dia a espera terminou!

Eufóricos pela notícia da chegada das nossas motas, arrancamos para o porto de descarga de automóveis. Que saudades de vermos estas nossas companheiras. Mal acionamos os motores de arranque, elas disseram logo que sim, o que nos trouxe uma alegria enorme porque havia sempre o risco de as baterias terem ido à vida. Foi tempo de carregar as coisas a pressa e seguirmos para uma oficina de pneus, onde o Pedro trocou os pneus mistos pelos seus de estrada.

Agora era a vez do campismo. Depois de muitos dias em Atenas em hotéis e de o orçamento já estar apertado, já nada mais nos restava senão acampar, o que não seria fácil dadas as temperaturas próximas do zero. Mas faz parte da experiência.

Lá rolamos durante cerca de 85 quilómetros à procura de um bom local para acampar, quando encontramos uma bomba de gasolina com um prédio de dois andares contiguo em construção, porém abandonado, que nos parecia um bom local para acampar. Interpelamos o senhor da bomba de gasolina se podíamos fazer “camping”, e eis que a resposta foi um ríspido “NÃO!”. Bem, lá pensamos nós que teríamos que procurar noutro local. Porém, para nossa surpresa, o senhor decidiu fazer um telefonema para o irmão, ao que parece para que falasse em inglês connosco, que imediatamente indicou ao senhor da bomba o que queríamos e que atendesse ao nosso pedido. Assim o fez, para nossa alegria.

Posto isto, montamos as tendas e abrigamo-nos imediatamente da intensa geada que se fazia sentir, dando de seguida início à confeção do nosso jantar. Contudo, o frio era tal que tivemos que nos dirigir novamente para o nosso amigo da bomba de gasolina para perguntar se nos deixava cozinhar na receção da bomba. O senhor, agora simpático, convidou-nos de imediato a utilizar a cozinha de serviço do posto. Deu-nos, ainda, a conhecer toda a família, com quem confraternizamos durante largas horas.

Depois, foi tempo de enfrentarmos a tenda e as temperaturas negativas do exterior, uma aventura que dispensávamos bem. Por volta das 9 horas da manhã lá acordamos em direção a Meteora, no norte da Grécia. Pelo meio passamos por paisagens carregadas de neve. Por volta das 16 horas lá chegamos a esta cidade, decidindo dar por terminado o dia, ficando desta vez por um hostel.

O dia seguinte amanheceu com bastante frio, mas nada que nos fizesse abrandar depois de vários dias de descanso. Lá nos fizemos à estrada, estrada esta com muito gelo, o que nos levou a progredir com muito cuidado. A seguir, aconselhados por alguns motociclistas, resolvemos iniciar a descida para apanhar a estrada nacional que nos levaria à Albânia, que distava apenas 130 quilómetros dali.

Depois de milhares de quilómetros em África qualquer distância aqui é uma brincadeira. Por estas bandas o maior desafio acaba mesmo por ser o frio que se faz sentir, com estradas cobertas de neve, onde a atenção tem que ser mais do que redobrada.

Chegados à fronteira albanesa lá fizemos todas as formalidades e entramos de seguida num país desconhecido e advertido por muitos por causa da corrupção. Apesar desses avisos, pouco depois de entrarmos na Albânia fomos abordados por um jovem, com bom aspeto, que nos disse para o seguirmos que nos levaria a um hotel para ficarmos (sem lhe perguntarmos nada). Nós lá mandamos os conselhos à fava e fomos atrás do rapaz. À chegada ao hotel apresentou-nos a sua família e rapidamente percebemos que o hotel seria um negócio familiar. Ofereceram-se inclusivamente para nos mandar vir pizza, o que aceitamos de imediato.

Mais um dia, e seguimos viagem. Com os quilómetros a passar a neve foi desaparecendo, apesar de ainda estarmos em zona de montanha, mas com temperaturas a rondar os 15 graus.

Lá chegamos a Tirana, com alguma confusão no trânsito, mas sem a agressividade Africana. Aliás, ao contrário de todos os relatos e expectativas, encontramos na Albânia um país bastante tranquilo e amigável. Alguns quilómetros adiante lá atingimos a fronteira com Montenegro, super tranquila e onde nos deixaram passar sem qualquer resistência. Ainda pensamos atingir a Croácia neste mesmo dia, porém o tempo já não era muito e decidimos entrar no dia seguinte.