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The African Challenge | Os últimos dias da viagem e a chegada.

A entrada na Croácia, país que já pertence à União Europeia, foi muito rápida e fácil, onde ficamos também a saber que teríamos que entrar na Bósnia pelo caminho, o que também seria uma tarefa fácil. Assim foi, e sem querer acabamos por ganhar mais um país para adicionar um autocolante. De ressalvar que para atravessar a Croácia tivemos que entrar na Bósnia para depois voltar a entrar na Croácia. Engraçado e invulgar. Em pouco tempo fizemos Montenegro, Croácia, Bósnia e Croácia outra vez.

Outra boa surpresa foi encontrarmos uma autoestrada na Bósnia com a qual não contávamos, o que nos permitiu ganhar bastante tempo. Pelo meio, começamos a subir bastante, pelo meio de uma serra gelada, onde apanhamos temperaturas de 3 graus negativos. Aguentar estas temperaturas durante largos quilómetros é obra. Quando nos aproximamos do oceano a coisa compôs-se, com temperaturas na ordem dos 6 graus positivos. Por volta das 20h30 lá chegamos a Rijeka, ficamos num hotel barato e comemos um rápido hambúrguer com batatas fritas.

No dia seguinte saímos de Rijeka, Croácia, em direção ao nosso destino do dia, Pádua, em Itália. Mal começamos a subir antes de passar a fronteira da Eslovénia a neve reapareceu e com ela as temperaturas a rondar os zero graus.

Chegados à fronteira com a Eslovénia tivemos direito a um controle informal de passaportes,  país onde estaríamos por pouco mais de meia hora, entrando de seguida em Itália, nas imediações da cidade de Trieste, seguindo depois na direção de Veneza, cidade que decidimos passar sem visitar, pois iria tomar-nos muito tempo e com o frio que se fazia sentir tínhamos de fazer quilómetros para chegar ao destino do dia, Pádua. Pelo caminho as autoestradas estavam cheias de camiões, o que obrigava a filas compactas em que tínhamos que ter alguma atenção na condução, mas verdade seja dita a condução italiana melhorou muito nos últimos anos.

Chegados a Pádua sem dificuldade fomos visitar a catedral de Sto. António e o belo centro histórico da cidade. Nos entretantos fomos procurando lugar para ficar, visto que se avizinhava mais uma noite bastante fria. Encontramos um simpático hotel de duas estrelas, gerido por pessoas muito simpáticas e por ali ficamos.

Mal o sol raiou, saímos do hotel em direção ao nosso próximo destino. Logo no início da viagem apanhamos um nevão magnífico, porém perigoso para quem anda na estrada, nomeadamente de mota. Contudo, a sorte não foi madrasta e a neve deixou-nos passado algumas dezenas de quilómetros, o que nos permitiu alcançar rapidamente o Mónaco, onde fizemos uma rápida visita à luxuosa e charmosa cidade de Monte Carlo. De seguida, partimos em direção a Montpellier, mas quis a sorte que na portagem travássemos conhecimento com 3 motards franceses que se dirigiam para Espanha, para uma concentração em Valência, e que por isso tomariam a mesma direção que nós. Assim, de imediato combinamos que os seguiríamos e assim foi.

Como eles conheciam bem o território tivemos direito a passeio guiado pela região, com principal nota para a passagem pelo parque natura, por entre lagoas e braços de rio, onde se vislumbram muitos flamingos e inclusivamente cavalos selvagens. Um cenário magnifico num fim de tarde de inverno. Assim, acompanhados que estávamos acabamos por completar 600 quilómetros.

Já com Espanha em vista, acordamos por volta das 8h30 e tomamos um pequeno almoço abundante pois sabíamos que o dia iria ser longo.

Na verdade, o caminho até foi bastante fácil de percorrer e bastante soalheiro, sem a ameaçadora neve. Correu tudo tão bem que acabamos por passar a fronteira às 16h30 e chegar com dia suficiente a San Sebastian para tirar belas fotografias a esta magnifica cidade à beira mar, carregada de construções oitocentistas. Foi também tempo de colocar a nossa última bandeira antes de terras lusitanas.

No final do dia acabamos por ficar num excelente turismo rural, numa colina sobre a cidade. Não fomos descansar sem antes nos fecharmos cá fora sem chave, com a comida no fogão. Acabamos por arranjar quem nos abrisse a porta. Mais tarde descobrimos que a chave esteve sempre connosco. Cansaço da viagem!

Quase a sentir o cheiro de Portugal e do fim desta nossa jornada...

Quase a sentir o cheiro de Portugal e do fim desta nossa jornada, saímos de San Sebastian com bastante mau tempo em direção a Vitória. A partir desta cidade o tempo melhorou muito, com uma tarde de sol como já não sentíamos há muito, o que fez com que a viagem até Tordesilhas fosse feita a um excelente ritmo. Chegados à cidade, muito bonita por sinal, ainda deu tempo para darmos umas voltas pelas suas ruas antigas antes de irmos para o hotel para descansar.

Com um nó no estômago pelo aproximar do fim da viagem, saímos de Tordesilhas com calma em direção a Bragança. Pelo meio visitamos Zamora, onde almoçamos e passeamos pelo centro histórico. Seguiram-se as arribas do rio Douro, junto a Alcanices, onde tiramos magníficas fotografias. Já se ia pondo o sol quando atingimos finalmente solo luso, neste caso por Bragança. A fome e as saudades da comida portuguesa eram tantas que nos dirigimos de imediato ao Abel, em Gimonde, para apreciar uma bela costeleta de vitela. Entretanto era tempo de descansar para no dia seguinte estarmos impecáveis para a família e amigos.

E o grande dia chegou!

Tínhamos feito o convite para que se juntassem a nós no Castelo de Bragança para assinalar a chegada a Portugal e, conforme combinado, lá estávamos às 11 horas. À nossa chegada já lá estavam bastantes pessoas à nossa espera, por entre familiares, amigos e algumas boas pessoas que decidiram acompanhar a nossa chegada. Abraçar as nossas crianças depois de tanto tempo foi, sem dúvida, a melhor coisa do mundo depois desta longa viagem.

Por fim, às 16h30 chegamos ao largo de S. Gonçalo, em Amarante, onde nos esperava uma bela massa de gente para nos felicitar.

Chegamos com sensação de dever cumprido misturado com alguma tristeza de já ter acabado. Parar depois de tanto tempo é estranho.

Seguir-se-ão, certamente, novos episódios.